Jérôme Lejeune

Jérôme LejeuneA MSM - Portugal, escolheu para patrono do Projecto Nova et Vetera, o Professor Jérôme Lejeune, notável cientista francês do século XX, geneticista de renome mundial, Homem íntegro que soube aliar a Fé e a Razão, cujo processo de beatificação foi iniciado na diocese de Paris em 28 de Abril de 2007. Lejeune foi e é uma referência moral e científica.
O Professor Lejeune foi, por escolha do Papa João Paulo II, o primeiro Presidente da Academia Pontifícia para a Vida. Lejeune pelo seu alto valor como cientista, Homem e Cristão, merece a nossa admiração.
Por isso o escolhemos como modelo e patrono. Queremos seguir-lhe o exemplo e ajudar a divulgar a sua personalidade de Cristão e Homem da Ciência.

... Biografia do Professor Jérôme Lejeune

O Professor Jérôme Lejeune nasceu em 1926, na cidade de Montrouge, França.

Cresceu no seio de uma família muito unida. Manifestou uma constante veneração pela sua família e em particular por seus pais, que permitiram que cada filho realizasse os seus talentos com toda liberdade. "A Minha família foi a maior recompensa recebida em toda a minha vida", dizia Lejeune.

Durante os seus estudos, o seu pai sempre o orientou, não no sentido de armazenar conhecimentos enciclopédicos, mas de forma a desenvolver as suas capacidades intelectuais pelo exercício das mesmas. Nessa perspectiva, a sua formação humanística foi muito grande. Ele consagrou-se particularmente aos estudos de latim, grego, religião, filosofia, literatura, matemática e geometria, tendo concluído os seus estudos secundários em 1946. Tal como a sua geração, teve a adolescência marcada pela guerra.

Começou seus estudos de medicina, desejando ser um médico de zona rural. Isso determina, durante certo tempo, as suas escolhas de estágios de formação. Mas, rapidamente, ele se interessou pelo enigma do mongolismo e manifestou a sua vontade de trabalhar sobre os mecanismos e a caracterização dessa doença, em cujos segredos ele desejava penetrar, como explicou, em 1951, ao Dr. Lucien Israel, um colega médico que com ele cumpria o serviço militar no Pelotão de Oficiais da Reserva para os Serviços de Saúde. Ao aprofundar seus estudos de genética, o Professor Lejeune pretendia alcançar o objectivo da sua carreira: aliviar o sofrimento, tratando - e curando - na medida do possível, fiel ao juramento de Hipócrates.

Apresentamos de seguida, um resumo das principais etapas de sua carreira como investigador:

  •  Em 1952, dedica-se à pesquisa científica, como estagiário no Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) tendo chegado ao cargo de Director de Pesquisas do CNRS.
  • Em 1953, descreve as anomalias palmares nos portadores da síndrome de Down. Estas pesquisas acabam por levá-lo a descrever a primeira doença genética conhecida.
  • Em Agosto de 1958, de férias com a sua família na Dinamarca, publica num jornal local, fotos de cromossomas, obtidas no seu laboratório em França. Em Setembro desse mesmo ano, na Universidade de S. Gill, de Montreal, Canadá, expõe a sua hipótese do determinismo cromossómico da síndrome de Down. Em Dezembro, estuda os cromossomas de três meninos "mongolóides", e confirma a sua hipótese. Ainda neste ano de 1958, é chamado para ensinar genética humana, como professor convidado da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
  • Em Janeiro de 1959, juntamente com dois colegas: Marthe Gauthier e Raymond Turpin, publica os resultados das suas investigações na revista da Academia de Ciências da França, estabelecendo-se pela primeira vez uma relação entre um estado de deficiência mental e uma alteração cromossómica.
  • Em 1960, usa os resultados desses trabalhos de pesquisa para o seu doutoramento (Doctorat es Sciences)
  • Em 1961, um grupo constituído por 19 investigadores, publica um artigo, no The Lancet, propondo a substituição do termo mongolismo por Trissomia 21. Lejeune mantém o termo trissomia 21, para colocar em evidência, que a doença é causada por um acidente genético, do qual os pais não têm qualquer responsabilidade.
  • Em 1963, demonstra perante a Academia de Ciências da França, que a falta de um determinado segmento do genoma (monossomia) poderia determinar uma doença clinicamente identificável. Passa a ser reconhecido como um dos fundadores da citogenética humana.
  • Em 1964 a descoberta da trissomia 21 abre-lhe as portas da Faculdade de Medicina de Paris onde passa a ser professor de genética humana e a dirigir pesquisas em citogenética e patologia cromossómica humana.
  • As pesquisas do professor Lejeune não se limitam a trissomia 21. Ele descobre, em 1964, que uma enfermidade conhecida como "Miado do Gato" resultava da falta de um segmento no cromossoma 5.
  • Em 1966, identificou a síndrome do cromossoma 18 q - e descobriu o fenótipo Dr, síndrome de malformação ligada ao cromossomo 13. O Dr. Lejeune e sua equipa identificam, ainda, diversas outras trissomias (a do 9 em 1970 e a do 8 em 1971).
    Todos estes resultados inspiraram e ainda inspiram uma série de terapias, no campo das multivitaminas e da medicina ortomolecular, já existentes e ainda em desenvolvimento actualmente.

Apesar de ser uma doença genética, o Professor Lejeune nunca desistiu da ideia de encontrar uma cura para a doença, uma forma de "desactivar" ou "desligar"o cromossoma supranumerário. "Pouco importa que seja eu ou outro que descubra como curar os trissómicos. O importante é encontrar a cura o mais rápido possível. (...) Colocar ao serviço dos pacientes os progressos técnicos de cada dia é certamente uma das tarefas mais difíceis da pesquisa médica, mas ela é ao mesmo tempo sua nobreza e sua única razão de ser", lembrava sempre o Dr. Lejeune.

Ele pesquisou ainda sobre a problemática do Cancro, já que a leucemia aguda atinge vinte vezes mais as crianças portadoras da trissomia 21. Várias relações inéditas entre as células constitucionais e as neoplásicas foram identificadas pelo Dr. Lejeune. Nos últimos dias de sua vida, no leito de hospital, ele insistia em se reunir e discutir com os seus colegas alguns eixos de pesquisa sobre os mecanismos de aparecimento das células neoplásicas e sobre determinismos, que ligam a vulnerabilidade ao cancro ao funcionamento do sistema nervoso.

O Professor Jérrôme Lejeune faleceu no dia 3 de Abril de 1994. O Papa João Paulo II recolheu-se ao túmulo de Lejeune em Châlo-Saint-Mars, em Paris, no dia 22 de Agosto de 1997, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

O processo para a beatificação do Professor Lejeune foi aberto em 28 de Junho de 2007, e tem como postulador da causa o Padre Jean-Charles Nault, prior da Abadia beneditina de Saint-Wandrille.

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